domingo, 25 de maio de 2014

Livro de Fernando Vieira de Carvalho Campos Salles será lançado no próximo sábado (31)

O escritor pinhalense Fernando Vieira de Carvalho Campos Salles, membro da Casa do Escritor Pinhalense "Edgard Cavalheiro", promove no próximo sábado, 31, o lançamento de seu novo livro, intitulado "Definições da Vida". O evento terá início às 17h e marcará ainda a inauguração da Villa do Poeta, pousada e centro cultural que promoverá, entre outras coisas, cursos e exposições de arte.

Além do lançamento do livro e da inauguração da pousada, o evento terá uma exposição da fotógrafa Thais Staut, responsável pelas fotos da capa e contracapa do livro "Definições da Vida". Parte da renda será destinada à Casa da Criança "São Francisco de Assis".

Serviço
Data: 31 de maio de 2014
Horário: 17h
Local: Pousada Villa do Poeta - Praça da Bandeira, 78 - Centro: Espírito Santo do Pinhal-SP
Informações: (19) 3651-3120 ou contato@villadopoeta.com.br.


domingo, 11 de maio de 2014

Edital - Prêmio Literário Internacional Buriti 2014

EM HOMENAGEM AO ESCRITOR DR. JOBAL DO AMARAL VELOSA
5º CONCURSO LITERÁRIO INTERNACIONAL
PAÍSES LUSÓFONOS
EDITAL E FICHA DE INSCRIÇÃO

Abrangência: nacional e internacional.
Somente textos em Língua Portuguesa.
Categoria: Adulto-maiores de 18 anos.
Modalidades: conto, crônica e poesia.
Inscrições: de 1º DE JANEIRO a 1º DE JUNHO de 2014.

Permitido enviar apenas uma obra inédita por modalidade.

As obras deverão ter aproximadamente 30 linhas para poesia e 60 linhas para prosa.

Taxa de inscrição: (para despesas com certificados, medalhas, troféus e correio) 15,00 reais por obra ou para quem se inscrever de fora do país 15 euros. Enviar cópia do recibo (pela internet) ou cheque nominal junto com o material da inscrição (pelo correio). Para os de fora do país, incluir em dinheiro em carta enviada pelo correio com a inscrição.

Pagamento da inscrição no Brasil: conta para depósito:

Banco do Brasil
Agência: 4562-4
Conta Poupança: 9345-9
Variação: 51

Envio do material para inscrição:
Pelo correio: enviar para 5º CONCURSO LITERÁRIO INTERNACIONAL PRÊMIO BURITI 2014 - Caixa Postal 14 - CENTRO - CEP: 14820-000 - Américo Brasiliense-SP. Brasil.
1- uma via impressa em papel A4, apenas com título, modalidade e pseudônimo, de cada textos, digitado em Times New Roman 12.
2- CD contendo a ficha de inscrição e as obra salvas  em word.doc.
3. cópia do recibo de pagamento ou cheque nominal a Risa Bernadete Sampaio Velosa.

Para os de fora do Brasil enviar 15 euros "in cash".

4- pequeno currículo de 7 linhas no máximo.

Pela internet: enviar para o e-mail: ritavelosa@bol.com.br
Enviar, em anexos, 1- ficha de inscrição

2- textos apenas com título, modalidade e pseudônimo, digitados em Times New Roman 12, formato word.doc.
3- Pequeno currículo de 7 linhas.
4- recibo digitalizado do pagamento da inscrição ou enviar pelo correio 15 euros para o endereço (direção) acima especificado.

Premiação: Troféu Buriti e publicação gratuita para o primeiro lugar de cada modalidade. Certificado e medalhas para os segundos e terceiros lugares de cada modalidade e pra todas as menções honrosas.

Haverá posteriormente antologia publicada por adesão. (não obrigatória)

Custo: 150,00 REAIS OU 50 EUROS PARA OS DE FORA DO BRASIL por texto com direito a quatro exemplares, já incluído neste montante o custo do envio pelo correio.
Exemplares extras: 40,00 cada. Exemplares restantes serão enviados para bibliotecas de escolas de Ensino Básico e Universidades O QUE LEVARÁ SEU TEXTO PARA TODA A AMÉRICA DO SUL ÁFRICA E EUROPA.

Resultado Final: Em 1º DE AGOSTO de 2014 e será divulgado pela internet no blogue oficial do concurso e em blogues e sites diversos. Também serão enviado e-mails para os participantes premiados.

Organizadora: Rita Bernadete Sampaio Velosa – Jornalista, escritora e ativista cultural. Delegada da UBT, Consulesa de Poetas Del Mundo,Delegada do Clube de Escritores de Piracicaba/SP e Membro das Academias de Letras de Cachoeiro do Itapemirim/ES, de Itajubá e Varginha/MG e ALG/GO.Sócia do Movimento VIRARTE/RS ,integrante da INTERARTE/RJ e Delegada Cultural da ALPAS XXI/RS. Telefone para contato: (55) (16) 997910024

Para mais informações, acesse o site do Prêmio Literário Internacional Buriti 2014 clicando aqui.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Casa do Escritor promove curso de oratória

A partir da próxima quarta-feira, 12, a Casa do Escritor Pinhalense "Edgard Cavalheiro" promoverá um curso de oratória para seus membros e demais interessados. O curso acontecerá durante as reuniões semanais da instituição por cerca de um mês.

Ministrado pelo professor Paulo Romão, o curso terá como objetivo ensinar "a arte de falar em público de forma estruturada e deliberada, com a intenção de informar, influenciar, ou entreter os ouvintes". Ao longo do curso será possível perceber que a palavra, quando manipulada com destreza, é uma arma irresistível.

Serão tratados temas como ler em público, recomendações para controlar o medo de falar em público, a importância da improvisação, os cuidados com a voz, retórica, persuasão, memorização, entre outros.

Os interessados em participar devem comparecer todas as quartas-feiras, às 20h, ao prédio da Associação Cultural Antônio Benedicto Machado Florence, na Praça da Independência.

Para mais informações entre em contato pelo e-mail casadoescritoredca@gmail.com.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Edital - XXII Concurso de Poesia e Prosa da Academia de Letras de São João da Boa Vista-SP

XXII CONCURSO DE POESIA E PROSA DA ACADEMIA DE LETRAS DE SÃO JOÃO DA BOA VISTA-SP

PATRONO: WILDES ANTÔNIO BRUSCATTO

OBJETIVOS
Revelar poesias e trabalhos em prosa, inéditos. Aprimorar o gosto pela arte literária e incentivar novos talentos.
Tornar enaltecidos imortais da Academia de Letras de São João da Boa Vista, que dão nome aos prêmios do primeiro colocado, em cada categoria literária do concurso, bem como o patrono de cada edição.

Poesia - Prêmio Emílio Lansac Toha
Prosa - Prêmio Fábio de Carvalho Noronha
Prêmio Especial – 3ª Idade – Prêmio Otávio Pereira Leite

CONCORRENTES
Podem se inscrever todos os interessados, em ambas as categorias, COM APENAS UM TRABALHO EM CADA CATEGORIA.
Cada trabalho deverá ser digitado ou datilografado EM TRÊS VIAS, espaço um e meio, de um só lado do papel (A4), contendo, NO MÁXIMO TRÊS FOLHAS, fonte Arial 12.
O tema é livre, sendo exigido texto inédito.
O concurso, vedado aos membros da Academia de Letras de São João da Boa Vista, envolverá CINCO FAIXAS ETÁRIAS:
  • ATÉ 12 ANOS.
  • DE 13 A 18 ANOS.
  • DE 19 A 39 ANOS.
  • DE 40 A 59 ANOS.
  • MAIORES DE 60 ANOS
INSCRIÇÕES
Os trabalhos deverão ser enviados para:
Academia de Letras de São João da Boa Vista - SP, Praça Rui Barbosa, 41 - Largo da Estação – Centro - São João da Boa Vista-SP | CEP 13870-269, aos cuidados de Silvia Ferrante.
Ou via Internet, pelo e-mail – concursoalsjbv@gmail.com;

CORREIO:
Os textos enviados pelo correio deverão ser remetidos em dois envelopes. O primeiro, maior, deve ter, por fora, no alto, a identificação da categoria literária a que se está concorrendo (poesia ou prosa), além do endereço da Academia. Dentro desse envelope, o trabalho do autor, não identificado, (apenas com pseudônimo) e outro envelope menor, fechado, onde constem, na face externa: a idade, o pseudônimo do autor e o nome da obra; dentro desse envelope menor, a ficha de inscrição devidamente preenchida. (vide modelo no final do edital).
Não será necessário enviar currículo ou cópias de documentos.

INTERNET:
Enviar o trabalho em anexo, com título, pseudônimo, respeitando as orientações de espaço, número de folhas e letra.
No corpo do e-mail deverão constar os dados pedidos na ficha de inscrição abaixo. Não é necessário copiar e colar essa ficha de inscrição, ela serve apenas de modelo dos dados exigidos.

Dados incompletos na ficha de inscrição implicarão na desclassificação do concorrente.

DATAS DE ENTREGA DOS TRABALHOS
O prazo para a entrega dos trabalhos será de 17 de fevereiro a 05 de maio de 2014. Em caso de remessa pelo correio, a data do carimbo postal deverá respeitar o prazo supracitado.

JULGAMENTO
Será realizado entre os dias 25 de maio a 30 de junho de 2014, pelas Comissões Julgadoras.

PREMIAÇÃO
Os prêmios serão remetidos pelo correio, sendo que os premiados serão convidados a comparecerem em Reunião Ordinária da Academia de Letras, que será realizada em data e local a serem definidos, quando serão homenageados.
Os três primeiros classificados, de cada categoria, terão seus trabalhos publicados numa Antologia a ser patrocinada pela Academia de Letras. E após a premiação, os textos classificados farão parte do site da Academia de Letras de São João da Boa Vista-SP.
Os trabalhos de cada gênero serão classificados até o terceiro lugar, sendo que os primeiros classificados de cada categoria receberão Diploma com suas classificações e dez Antologias contendo as obras premiadas.
Os segundos classificados de cada gênero receberão Diplomas com suas classificações e cinco Antologias contendo as obras premiadas.
Os terceiros classificados receberão Diplomas de Classificação e Duas Antologias contendo as obras classificadas.
Não serão expedidos certificados de participação aos demais concorrentes.

CONSIDERAÇÕES GERAIS
- A simples remessa de trabalhos significa aceitação completa deste regulamento.
- Os casos omissos serão julgados pela Comissão Organizadora, a quem cabe decisões definitivas e irrecorríveis.
- Os trabalhos remetidos, premiados ou não, passarão a pertencer à Academia de Letras e estarão arquivados por 1 (um) ano.
- Recomenda-se ao autor manter uma cópia em seu poder.
Mais informações no site www.alsjbv.com.br ou pelos e-mails: secretariaalsjbv@gmail.com; ou concursoalsjbv@gmail.com;


São João da Boa Vista, fevereiro de 2014

Lucelena Maia
Presidente

Silvia Ferrante
1ª secretária e Coordenadora Geral

CONCORRA, PARTICIPE, DIVULGUE

Para mais informações acesse o site da Academia de Letras de São João da Boa Vista-SP clicando aqui.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Convite para o início das atividades de 2014

A Casa do Escritor Pinhalense "Edgard Cavalheiro" convida todos seus membros e amigos para o início das atividades do ano de 2014, que acontecerá na próxima quarta-feira, 12, no prédio da Associação Cultural Antônio Benedicto Machado Florence (o antigo Casarão), a partir das 20h.

Para mais informações entre em contato através do e-mail casadoescritoredca@gmail.com.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Paulo Bomfim relata encontro com Monteiro Lobato

Foto: Reprodução
Em crônica exclusiva para a coluna Passeios da Memória, que foi ar no último dia 14 de novembro pela Rádio Cultura FM 103,3 de São Paulo, o poeta e jornalista Paulo Bomfim, membro da Academia Paulista de Letras, relatou um breve encontro com o escritor Monteiro Lobato. Nesse encontro,  que aconteceu em junho de 1948 na casa de Lobato, também estava presente, entre outros, o escritor pinhalense Edgard Cavalheiro, grande amigo e biógrafo de Monteiro Lobato.

Para ouvir a crônica "Lobato" basta acessar o site oficial do escritor Paulo Bomfim clicando aqui.

Paulo Bomfim
Paulo Bomfim nasceu em São Paulo em 1926 e iniciou curso na Faculdade de Direito de São Paulo, por volta de 1946, mas não chegou a completá-lo. Na época trabalhava como colaborador dos jornais Correio Paulistano, Diário de São Paulo e Diário de Notícias. Em 1946 ocorreu a publicação de seu primeiro livro de poesia, Antônio Triste, com o qual recebeu o Prêmio Olavo Bilac, concedido pela Academia Brasileira de Letras, em 1947. No ano seguinte participou do Primeiro Congresso Paulista de Poesia. Entre 1971 e 1973 foi curador da Fundação Padre Anchieta, diretor técnico do Conselho Estadual de Cultura de São Paulo e representante do Brasil nas comemorações do cinquentenário da Semana de Arte Moderna, em Portugal. Recebeu vários prêmios, entre eles o Troféu Juca Pato de Intelectual do Ano, em 1982, concedido pela União Brasileira de Escritores. Em 2000 e 2001 publicou os livros de contos e crônicas Aquele Menino e O Caminheiro. Sua extensa obra poética inclui Relógio de Sol (1952), Armorial (1956), Tempo Reverso (1964), Calendário (1968), Praia de Sonetos (1981) e Súdito da Noite (1992). Sua poesia, vinculada à terceira geração do modernismo, tematiza com frequência a cidade de São Paulo, o que contribuiu para que Paulo Bonfim se tornasse um dos poetas mais populares do estado.

Material enviado pelo pesquisador pinhalense Silvio Tamaso d'Onofrio.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Discurso do escritor Luiz Ruffato na Feira de Frankfurt (2013)

Foto: Reprodução
“O que significa ser escritor num país situado na periferia do mundo, um lugar onde o termo capitalismo selvagem definitivamente não é uma metáfora? Para mim, escrever é compromisso. Não há como renunciar ao fato de habitar os limiares do século 21, de escrever em português, de viver em um território chamado Brasil. Fala-se em globalização, mas as fronteiras caíram para as mercadorias, não para o trânsito das pessoas. Proclamar nossa singularidade é uma forma de resistir à tentativa autoritária de aplainar as diferenças.

O maior dilema do ser humano em todos os tempos tem sido exatamente esse, o de lidar com a dicotomia eu-outro. Porque, embora a afirmação de nossa subjetividade se verifique através do reconhecimento do outro –é a alteridade que nos confere o sentido de existir–, o outro é também aquele que pode nos aniquilar… E se a Humanidade se edifica neste movimento pendular entre agregação e dispersão, a história do Brasil vem sendo alicerçada quase que exclusivamente na negação explícita do outro, por meio da violência e da indiferença.

Nascemos sob a égide do genocídio. Dos quatro milhões de índios que existiam em 1500, restam hoje cerca de 900 mil, parte deles vivendo em condições miseráveis em assentamentos de beira de estrada ou até mesmo em favelas nas grandes cidades. Avoca-se sempre, como signo da tolerância nacional, a chamada democracia racial brasileira, mito corrente de que não teria havido dizimação, mas assimilação dos autóctones.

Esse eufemismo, no entanto, serve apenas para acobertar um fato indiscutível: se nossa população é mestiça, deve-se ao cruzamento de homens europeus com mulheres indígenas ou africanas – ou seja, a assimilação se deu através do estupro das nativas e negras pelos colonizadores brancos.

Até meados do século XIX, cinco milhões de africanos negros foram aprisionados e levados à força para o Brasil. Quando, em 1888, foi abolida a escravatura, não houve qualquer esforço no sentido de possibilitar condições dignas aos ex-cativos. Assim, até hoje, 125 anos depois, a grande maioria dos afrodescendentes continua confinada à base da pirâmide social: raramente são vistos entre médicos, dentistas, advogados, engenheiros, executivos, artistas plásticos, cineastas, jornalistas, escritores.

Invisível, acuada por baixos salários e destituída das prerrogativas primárias da cidadania –moradia, transporte, lazer, educação e saúde de qualidade–, a maior parte dos brasileiros sempre foi peça descartável na engrenagem que movimenta a economia: 75% de toda a riqueza encontra-se nas mãos de 10% da população branca e apenas 46 mil pessoas possuem metade das terras do país. Historicamente habituados a termos apenas deveres, nunca direitos, sucumbimos numa estranha sensação de não pertencimento: no Brasil, o que é de todos não é de ninguém…

Convivendo com uma terrível sensação de impunidade, já que a cadeia só funciona para quem não tem dinheiro para pagar bons advogados, a intolerância emerge. Aquele que, no desamparo de uma vida à margem, não tem o estatuto de ser humano reconhecido pela sociedade, reage com relação ao outro recusando-lhe também esse estatuto. Como não enxergamos o outro, o outro não nos vê. E assim acumulamos nossos ódios –o semelhante torna-se o inimigo.

A taxa de homicídios no Brasil chega a 20 assassinatos por grupo de 100 mil habitantes, o que equivale a 37 mil pessoas mortas por ano, número três vezes maior que a média mundial. E quem mais está exposto à violência não são os ricos que se enclausuram atrás dos muros altos de condomínios fechados, protegidos por cercas elétricas, segurança privada e vigilância eletrônica, mas os pobres confinados em favelas e bairros de periferia, à mercê de narcotraficantes e policiais corruptos.

Machistas, ocupamos o vergonhoso sétimo lugar entre os países com maior número de vítimas de violência doméstica, com um saldo, na última década, de 45 mil mulheres assassinadas. Covardes, em 2012 acumulamos mais de 120 mil denúncias de maus-tratos contra crianças e adolescentes. E é sabido que, tanto em relação às mulheres quanto às crianças e adolescentes, esses números são sempre subestimados. 

Hipócritas, os casos de intolerância em relação à orientação sexual revelam, exemplarmente, a nossa natureza. O local onde se realiza a mais importante parada gay do mundo, que chega a reunir mais de três milhões de participantes, a Avenida Paulista, em São Paulo, é o mesmo que concentra o maior número de ataques homofóbicos da cidade. 

E aqui tocamos num ponto nevrálgico: não é coincidência que a população carcerária brasileira, cerca de 550 mil pessoas, seja formada primordialmente por jovens entre 18 e 34 anos, pobres, negros e com baixa instrução.

O sistema de ensino vem sendo ao longo da história um dos mecanismos mais eficazes de manutenção do abismo entre ricos e pobres. Ocupamos os últimos lugares no ranking que avalia o desempenho escolar no mundo: cerca de 9% da população permanece analfabeta e 20% são classificados como analfabetos funcionais –ou seja, um em cada três brasileiros adultos não tem capacidade de ler e interpretar os textos mais simples.

A perpetuação da ignorância como instrumento de dominação, marca registrada da elite que permaneceu no poder até muito recentemente, pode ser mensurada. O mercado editorial brasileiro movimenta anualmente em torno de 2,2 bilhões de dólares, sendo que 35% deste total representam compras pelo governo federal, destinadas a alimentar bibliotecas públicas e escolares. No entanto, continuamos lendo pouco, em média menos de quatro títulos por ano, e no país inteiro há somente uma livraria para cada 63 mil habitantes, ainda assim concentradas nas capitais e grandes cidades do interior.

Mas, temos avançado.

A maior vitória da minha geração foi o restabelecimento da democracia – são 28 anos ininterruptos, pouco, é verdade, mas trata-se do período mais extenso de vigência do estado de direito em toda a história do Brasil. Com a estabilidade política e econômica, vimos acumulando conquistas sociais desde o fim da ditadura militar, sendo a mais significativa, sem dúvida alguma, a expressiva diminuição da miséria: um número impressionante de 42 milhões de pessoas ascenderam socialmente na última década. Inegável, ainda, a importância da implementação de mecanismos de transferência de renda, como as bolsas-família, ou de inclusão, como as cotas raciais para ingresso nas universidades públicas.

Infelizmente, no entanto, apesar de todos os esforços, é imenso o peso do nosso legado de 500 anos de desmandos. Continuamos a ser um país onde moradia, educação, saúde, cultura e lazer não são direitos de todos, e sim privilégios de alguns. Em que a faculdade de ir e vir, a qualquer tempo e a qualquer hora, não pode ser exercida, porque faltam condições de segurança pública. Em que mesmo a necessidade de trabalhar, em troca de um salário mínimo equivalente a cerca de 300 dólares mensais, esbarra em dificuldades elementares como a falta de transporte adequado. Em que o respeito ao meio-ambiente inexiste. Em que nos acostumamos todos a burlar as leis.

Nós somos um país paradoxal.

Ora o Brasil surge como uma região exótica, de praias paradisíacas, florestas edênicas, carnaval, capoeira e futebol; ora como um lugar execrável, de violência urbana, exploração da prostituição infantil, desrespeito aos direitos humanos e desdém pela natureza. Ora festejado como um dos países mais bem preparados para ocupar o lugar de protagonista no mundo –amplos recursos naturais, agricultura, pecuária e indústria diversificadas, enorme potencial de crescimento de produção e consumo; ora destinado a um eterno papel acessório, de fornecedor de matéria-prima e produtos fabricados com mão de obra barata, por falta de competência para gerir a própria riqueza.

Agora, somos a sétima economia do planeta. E permanecemos em terceiro lugar entre os mais desiguais entre todos…

Volto, então, à pergunta inicial: o que significa habitar essa região situada na periferia do mundo, escrever em português para leitores quase inexistentes, lutar, enfim, todos os dias, para construir, em meio a adversidades, um sentido para a vida?

Eu acredito, talvez até ingenuamente, no papel transformador da literatura. Filho de uma lavadeira analfabeta e um pipoqueiro semianalfabeto, eu mesmo pipoqueiro, caixeiro de botequim, balconista de armarinho, operário têxtil, torneiro-mecânico, gerente de lanchonete, tive meu destino modificado pelo contato, embora fortuito, com os livros. E se a leitura de um livro pode alterar o rumo da vida de uma pessoa, e sendo a sociedade feita de pessoas, então a literatura pode mudar a sociedade. Em nossos tempos, de exacerbado apego ao narcisismo e extremado culto ao individualismo, aquele que nos é estranho, e que por isso deveria nos despertar o fascínio pelo reconhecimento mútuo, mais que nunca tem sido visto como o que nos ameaça. Voltamos as costas ao outro –seja ele o imigrante, o pobre, o negro, o indígena, a mulher, o homossexual– como tentativa de nos preservar, esquecendo que assim implodimos a nossa própria condição de existir. Sucumbimos à solidão e ao egoísmo e nos negamos a nós mesmos. Para me contrapor a isso escrevo: quero afetar o leitor, modificá-lo, para transformar o mundo. Trata-se de uma utopia, eu sei, mas me alimento de utopias. Porque penso que o destino último de todo ser humano deveria ser unicamente esse, o de alcançar a felicidade na Terra. Aqui e agora.”

Luiz Ruffato - Frankfurt, 08 de outubro de 2013